quinta-feira, 12 de junho de 2008

Capitulo 1: Kowloon/Hong Kong


A ilha de Hong-Kong, situada ao largo da china, é certamente um dos lugares de maior renome para os Europeus. É também o ponto de partida desta nossa grande marcha, por terras dos Ming, de Gao Xingjian e de tantos outros que nos foram povoando o imaginario desde pequenos. Conhecida por ser um dos principais centros financeiros da Ásia, com uma ligacão histórica à Europa, esta ilustre ilha, ancorada no Índico, surpreende sobretudo pelo movimento frenético, pelos placares luminosos pendurados por todo lado e pela humidade que se cola ao corpo desde o primeiro segundo em que saímos do aeroporto.

Nathan Road: Mergulhados no Caos



Para chegarmos à ilha de Kowloon (a irmã desconhecida de Hong Kong), onde já tinhamos um hostel marcado, apanhámos um autocarro de 45 minutos, que nos deu logo uma ideia de como vivem os chineses em Hong Kong. Antes de chegarmos ao nosso destino, fomos serpenteando ao longo de corredores de prédios altos e esguios, que se equilibravam ora na vertente dos montes, ora encaixados na vegetacão maciça, como peças de dominó desalinhadas. Em Hong Kong vive-se apertado. As casas parecem ter apenas o espaco imprescindível para levar uma vida digna (e nalguns casos nem mesmo isso). As pessoas vivem sobretudo na rua, que estao sempre cheias de chineses de passagem e de indianos que nos impingem as coisas mais absurdas e que nos tentam arrastar para o interior das lojas. A nossa primeira paragem foi Nathan Road (a rua do nosso hostel), uma espécie de Quinta Avenida em decadência, ladeada por prédios colossais e com um ar decrépito, onde se cruzam milhares de chineses de semblante fechado, debaixo de uma nuvem de placares luminosos. O legado britânico parece mesmo ficar-se pelo trânsito, onde os carros continuam a circular à esquerda, porque não há nada, de resto, que nos lembre que Hong Kong era até há poucos anos um protectorado inglês.

O nosso hostel não foi fácil de encontrar. Mas depois de algum esforço lá o descobrimos, num prédio no bairro de Tsim Sha Tsui, chamado Mirador Mansion. Descrever o Mirador Mansion é uma tarefa demasiado ingrata para um mortal, mas só para que fiquem com uma ideia, ao percorrermos os corredores deste prédio, horas mais tarde, apercebemo-nos da existência de mais quatro hostels para além do nosso, de restaurantes indianos, chineses, de casas de prostituição, de um spot com internet, de lojas que vendiam toda a espécie de bugigangas, enfim, o mirador mansion era o espelho da confusão que pulsava lá fora, uma experiência fortíssima, exactamente aquilo que precisávamos para começar a nossa incursão pelo Oriente.


Hong-Kong, Central: Glória Portuguesa e Uma Aventura Improvável



"Puto, é mesmo ali que vemos o jogo!". Eram por volta das nove da noite quando fizemos a travessia de metro de Kowloon para Hong-Kong, na expectativa de encontrar um lugar para ver o jogo Portugal-República Checa. Depois de uma refeição mais light demos uma volta pela centro da ilha, onde se respira uma paz quase anacrónica, que ainda assim não apaga da memória o ritmo alucinante da Nathan Road. Depois de metermos para uma rua sem carros, onde de um lado e outro surgiam bares em madeira e vidro com bom aspecto, lá descobrimos o lugar ideal para assistirmos ao jogo: um pub irlandês, com torres de cerveja e dois televisores só para nós. O que é que podiamos querer mais do que isto? Como ainda faltava algum tempo para o jogo e tinhamos comprado uma garrafa de vinho, andámos à procura de um jardim para a deitar abaixo, mas o melhor que encontrámos foi a entrada de um parque que estava fechado durante a noite.

À meia-noite em ponto estávamos colados em frente à televisão, acompanhados por uma cerveja e por um potente ar condicionado que por momentos se encarregavam de nos fazer esquecer que estávamos na Ásia a torcer pela nossa selecção. Os chineses ficaram logo a olhar para nós com um ar intrigado, quando começámos a entoar o hino com emoção e ainda mais quando festejámos os dois golos (principalmente o segundo, em que fomos particularmente efusivos). É que os chineses são um povo reservado e que não está tão habituado a expor os sentimentos.

"So which team were you supporting?", perguntei eu a um inglês com quem me cruzei na casa-de-banho. "The Checs, obviously!", respondeu ele. "Why?", saiu-me com alguma ingenuidade. "Because they were the underdogs, man...". Portugal tinha acabado de ganhar o jogo e eu estava a delirar de orgulho, mas aquela confissão de um inglês revoltado por não ter a selecção no Europeu, ainda me deixou mais feliz. Era a constatação de que Portugal hoje em dia é vista como uma das melhores do mundo, até por um adepto inglês ressabiado.

Saímos do pub com demasiada energia para voltarmos ao Mirador Mansion, por isso andámos a passear pelo porto e a tirar algumas fotografias. O problema é que ainda tinhamos que atravessar o mar que separa Kowloon de Hong-Kong e o metro já tinha fechado, por isso tinhamos que ir de Taxi. Estávamos a dar uma volta pela marginal, quando de repente o Pedro viu um ferry ancorado no cais e gritou: "Malta, baza de ferry para Kowloon!". Todos achámos uma excelente ideia e desatámos a correr em direcção ao barco e apanhámo-lo mesmo a tempo. Qual não foi o nosso espanto, quando, ao fim de alguns minutos, começámos a ver o barco a afastar-se cada vez mais da ilha de Kowloon. Resolvemos então perguntar a uma rapariga para onde ia o barco. "This ferry goes to Peng Chau.". "Peng Chau?", interrogámos nós com um ar confuso. "Yes. An island in the middle of the ocean...". Eram três e meia da manhã.
BGL



2 comentários:

Bernas,estou impressionado, e ao mesmo tempo com alguma inveja das prespectivas fantásticas que essa viagem vos pode revelar ... e só quero que gozem á brava com tudo o pode estar pela vossa frente!!!!!!!! (pai) a mãmã manda beijinhos e continuem a mandar fotos para irmos acompanhando a vossa viagem (mãe)bjs

Muito bom!!
Vome tornar leitor assiduo do vosso blogue para vos "acompanhar" nesta grande marcha.
Espero q se divirtam e aproveitem isso ao maximo!
Abraços&Beijinhos,
jorge