Capitulo 2: Kowloon/ Hong Kong
Victoria Peak e Pok Fu Lam Country Garden: Downhill em Hong-Kong

Por volta do meio-dia, estavamos na ilha de Hong-Kong, a apanhar o tram para o Victoria Peak, a principal atraccao turistica da cidade, mas nem por isso a que nos chamava mais a atencao. A parte mais interessante de visitar o Peak foi mesmo a viagem ate ao topo. Assim que entramos no tram, tivemos a impressao de que estavamos numa nave espacial, mas em que os bancos pareciam tirados de um jardim municipal. A locomotiva estava apontada a 45 graus e assim que comecamos a subir empinou quase na vertical, desafiando todas as leis da fisica. A viagem foi lenta, mas a medida que nos fomos aproximando do Peak deixamos de contar os minutos, porque Hong Kong entrou-nos pela janela em tamanha miniatura, como se estivessemos a receber um postal em tempo real. A imagem de Hong Kong a deriva no oceano, vista daquele comboio-trepador, que a todo o segundo ameacava cair no vazio, ficou-me na cabeca. Depois ja no topo foi mais do mesmo. Quem quisesse ainda podia pagar mais um punhado de dolares para ver Hong Kong do cimo de um mamarracho de ferro, mas nos limitamo-nos a dar uma volta e depois decidimos descer a pé.
Voltamos a Hong Kong pelo Pok Fu Lam Country Garden, um parque natural que rodeia o Victoria Peak e que e atravessado por uma vereda de pedra humida e cheia de musgo, que em alguns momentos mais parecia uma pista de Downhill. O caminho de volta tinha tudo para ser uma das experiencias mais agradaveis em Hong Kong, pois a vereda de pedra era toldada por arvores ancestrais, por onde volta e meia corria uma aragem fresca (uma coisa rara por estas paragens) que ajudava a disfarcar a humidade sufocante que nos perseguia para todo o lado. Mas rapidamente aquela viagem se transformou numa prova de resistência, porque a determinada altura a inclinacao tornou-se tao acentuada que tinhamos que andar nas pontas dos pés, como equilibristas, e andar nas pontas dos pes durante quase uma hora pode ser uma experiencia bem aterradora. O que ainda nos ia distraindo era ver passar algumas borboletas de dimensões pre-historicas, que pareciam autênticos pássaros, ou rir com aqueles que passavam por nos a caminho do topo, como se fosse possivel algum deles la chegar...
Passeio em Sheung-Wan e Jantar no Temple Night Market
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Nessa tarde, optamos por dar um passeio por Sheung-Wan, uma zona tipica de Hong Kong, encaixada discretamente no meio de uma barricada de arranha-ceus e onde se esbarra com um mercado em cada esquina. Deparamo-nos com todo o tipo de mercados, desde mercados mais arrumados onde se vendem relogios de marca ao preco da chuva, ate bancas de madeira improvisadas, que vendem titulos de divida publica emitidos por Mao durante a revolucao cultural e de onde volta e meia sai um rato tinhoso. O passeio foi optimo para conhecermos um outro lado de Hong Kong, menos folclorico, longe das luzes neon e dos predios colossais a cairem de podre, um cheirinho daquilo que tanto nos atraiu na Asia, lugares onde o tempo parece nao chegar e onde o olhar das pessoas fala por si mesmo. Casas mais pitorescas, homens de olhos em bico a espreitarem por tras dos postigos de madeira, chineses de semblante triste, mas de uma tristeza resignada, como se aceitassem o seu destino com a maior das naturalidades. Um aperitivo para os dias que se seguiam.
Quando horas mais tarde voltamos ao Mirador Mansion, encontramos uma fila de pessoas para apanhar o elevador. Estivemos aproximadamente 15 minutos na fila, rodeados de indianos, cambodajanos, arabes, individuos de barriga a mostra, descalcos, uma especie de engarrafamento na A5 so que para apanhar um elevador.
Por volta das 9 saimos de Tsim Sha Tsui para visitarmos o Temple Night Market, umas das principais atraccoes da cidade: um mercado nocturno apertado, que se estende ao longo de duas ruas compridas e onde se vende de tudo. Antes de nos debrucarmos sobre o mercado, tratamos de escolher um restaurante para ter a nossa primeira experiencia gastronomica no Oriente. Seguimos um dos conselhos do Lonely Planet e procuramos o restaurante mais cheio do mercado (o argumento deles e que se o restaurante estiver cheio, a partida nao sera muito mau e a probabilidade de arranjarmos uma disenteria e substancialmente menor). Acabamos por comer uns fried noodles optimos, regados com Tsing Tao, a cerveja ca do sitio e a nossa unica constante ao longo de toda a viagem. A seguir atiramo-nos ao mercado e tivemos a oportunidade de fazer bons negocios, se bem que dias mais tarde, ao cruzarmos a fronteira para a mainland China, percebemos que nao deviamos ter comprado nada em Hong Kong, porque assim que se salta a fronteira, os precos caem a pique.
BG
comentários:
20 de junho de 2008 às 00:28
meu querido filho,hoje dia 20 de junho estive a ler por alto as vossas notícias e fiquei um pouco mais perto de vocês não há dúvida que estão a viver uma experiência que vos vai marcar para o resto da vida e fiquei cm a certeza que se estão a sair muito bem,que tal a Joana no meio dos rapazes?E tu meu querido filho com as alturas? deve ser difícil, o que eu penso é que vais ficar vacinado quando chegares qualquer coisa mais alta vai ser uma facilidade. Diverte-te e a mãe está cheia de saudades Bjs a todos Mãe
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