Capitulo 6: Guangzhou
Across the Border: Do lado de Ca ao Deus de Ara
Bastou cruzar a fronteira para percebermos que Hong Kong e Macau tinham ficado para tras e que a nossa vida nao tardaria a complicar-se. Assim que saimos do edificio da alfandega, esmagados no meio de uma multidao de pessoas, e descemos as escadas rolantes que davam para a estacao de autocarros, deparamo-nos com um mercado labirintico, que se estendia ao longo de umas dezenas de metros, onde se vendiam desde massagens nos pes, ate dragoes de jade por uma pechincha. Ainda meio baralhado com a intensidade da luz branca que me entrava nos olhos vinda de todo o lado e com a energia dos vendedores, que pareciam autenticos corretores da bolsa na Wall Street, fui arrastado para o interior de uma loja de relogios, onde uma senhora me passou para as maos uma imitacao perfeita de um rolex:
- 300 yuans, sir! - gritou ela.
- Too expensive - respondi-lhe eu. - And for two rolex, how much?
Os olhos dela brilharam quando lhe falei em dois:
- 550 yuans, sir!
- No, that's too much...
- So choose a price, sir - retorquiu ela num ingles encriptado, estendendo-me a calculadora para eu escrever o numero magico.
Ofereci-lhe 350 e a resposta dela foi sintomatica:
- Ok.
Tinha entrado na China nem ha meia hora e ja tinha dois rolex no bolso. Tinha que me controlar. Depois demos mais uma volta pelos corredores interminaveis daquele mercado, vimos bancas inteiras so de perolas, lojas de sedas, carrinhos de fritos, onde chineses se aglomeravam como formigas e que volta e meia libertavam um cheiro doce e enjoativo, restaurantes a transbordarem de pessoas, enfim, se ainda restavam duvidas, aquele passeio acabou com todas elas: estavamos na China e daqui para a frente nada seria o mesmo.
Li Cheung Li, Lilac International Suites, Tianhe District: Perdidos no Meio da Selva
Chegamos a Guangzhou por volta das 8 da noite, depois de uma viagem de quase duas horas de autocarro. Faltavam alguns dez minutos para chegarmos e ja parecia que estavamos em plena cidade. Predios enormes cercavam o autocarro por todo o lado e uma cupula de smog estendia-se ate ao horizonte. Guangzhou ja e uma cidade tipicamente chinesa, com um movimento e uma agitacao que nao se ve em mais parte nenhuma do mundo, em que o transito e caotico e em que a poluicao juntamente com a humidade tornam o ar simplesmente irrespiravel.
Os nossos problemas comecaram quando tivemos que sair do autocarro e nao sabiamos onde sair. Guangzhou e uma cidade enorme e nos tinhamos hostel marcado no distrito de Tianhe, so que nao faziamos a menor ideia onde sair. O motorista nao falava ingles e abanava a cabeca quando nos dirigiamos a ele, como se nao estivesse disposto a comunicar com um ocidental, as placas estavam todas em caracteres e nos nao conheciamos a cidade. O melhor que nos ocorreu fazer foi sair numa paragem junto a uma universidade, porque a probabilidade de encontrar alguem que falasse ingles era maior e agora que olho para tras nao tenho duvidas que foi a melhor decisao que tomamos.
Foi a entrada desta universidade que conhecemos Li Cheung Li, uma estudante de mandarim e tradicao chinesa, que se ofereceu para nos ajudar. Era uma rapariga bem simpatica, que falava ingles (uma raridade deste lado do mundo), de 22 anos, que minutos mais tarde nos revelaria, como que erguendo um trofeu, que ja tinha tido dois namorados britanicos e que actualmente namorava um chines que estava a estudar engenharia no MIT. Li Cheung Li nao conhecia a rua do nosso hostel e depois de conversar com alguns taxistas percebeu que o nome da nossa rua devia estar errado. Por isso fui com ela ate a sala de computadores da universidade para ver se descobriamos o nome da rua. Depois de alguma pesquisa la a ouvi exclamar: "Taishong, not Taisheng...". E dai ate apanharmos um taxi nao demorou muito. Antes ainda me garatujou no moleskine o nome de uma casa de cha, um restaurante imperdivel e o nome de alguns pratos que ela aconselhava. Li Cheung Li foi um achado nesta terra onde nos sentimos sempre a deriva e onde dependemos totalmente da boa vontade das pessoas para nos dirigirmos onde quer que seja.
Quando finalmente demos com o nosso hostel, os nosso olhos mal queriam acreditar no que viam. Depois do nosso quarto exiguo no USA Hostel, o apartamento no Lilac International parecia a suite presidencial do Hotel Ritz. Tivemos direito a 3 quartos, a uma sala ampla, com televisor Konka Widescreen e tudo por 10 euros por cabeca, menos do que tinhamos pago durante a nossa estadia em Hong Kong. Fumei uma cigarrilha sentado no sofa, enquanto procurava um canal que transmitisse resumos do Euro. Pouco tempo depois estavamos a sair para explorar o distrito de Tianhe.
BGL
comentários:
27 de junho de 2008 às 05:06
meu querido filho
a mãe está encantada com o vosso dessenrrascanço, pois nessa terra a todo o momento devem surgir dificuldades, mas vejo que estão a passar muito bem nesse teste de aventura,estou desejosa de ouvir ao vivo as vossas histórias,cá estarei para me deliciar a ouvi-las,dá um bj a todos a um especial para tibjs mãe
Enviar um comentário